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31 de dez. de 2026

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Clube prometeu vender terreno que ainda pertence à PROCAC


Escrito por Rui Avelar
28-Nov-2007
Há dois anos e meio, a Académica/OAF terá embolsado 450.000 euros por se comprometer a vender um terreno, que ainda não lhe pertence, e edificações projectadas para o topo Norte do largo de João Paulo II (sito na «Alta» de Coimbra). Eduardo Simões, que foi director de urbanismo, aliou à condição de accionista e gestor da PROCAC (proprietária do terreno) a qualidade de presidente do clube, sendo que este passou a controlar aquela sociedade anónima.
Na qualidade de “futura detentora” de um terreno, a Académica/OAF prometeu celebrar com uma empresa um contrato-promessa para venda de 11 fogos, um estabelecimento comercial e 12 garagens, cujo projecto de arquitectura foi aprovado para a rua de Alexandre Herculano, apurou o “Campeão”.
A 04 de Abril de 2005, sendo o presidente da Briosa, José Eduardo Simões, simultaneamente gestor da sociedade anónima (SA) PROCAC e director de urbanismo na Câmara de Coimbra, o clube assinou com a Brasfer - Imobiliária um acordo atinente à aquisição do imóvel onde funcionou a respectiva sede e de um terreno adjacente.
A referida firma é presidida pelo empresário Emídio Mendes, promotor do empreendimento Jardins do Mondego.
A Académica/OAF obrigou-se comprar o terreno adjacente ao imóvel onde funcionou a respectiva sede.
Como noticiámos na semana passada, a Direcção da Briosa espera ver definidos, no próximo plenário de accionistas da PROCAC (convocado para 13 de Dezembro), os termos da transferência de propriedade.
No acordo, a cujo teor o nosso Jornal teve acesso, a Académica/OAF propôs-se alienar a totalidade das edificações a construir mediante a promessa de recebimento de 450.000 euros.
A referida operação visa a obtenção dos recursos indispensáveis à compra do edifício existente, que a Briosa tenciona manter em seu poder, e do terreno adjacente. Destina-se ainda a garantir a realização de obras no referido edifício, sendo que para este fim a Brasfer se comprometeu a entregar 200.000 euros.
O clube comprometeu-se a efectuar uma operação urbanística e a obter da Câmara de Coimbra as indispensáveis licenças para a construção das edificações previstas e das obras de remodelação, reabilitação e recuperação do edifício sito no topo Sul da rua de Alexandre Herculano (sentido ascendente).
O documento consagra, por outro lado, que a Brasfer efectue as obras previstas para a sede da PROCAC - Sociedade de Desenvolvimento Industrial e Comercial de Construção, bem como as inerentes às edificações projectadas.
Representada por Eduardo Simões e pelos vice-presidentes Luís Godinho e Luís Neves, a Direcção da Académica/OAF comprometeu-se a celebrar um contrato-promessa para venda das edificações a construir, devendo subscrevê-lo no prazo de 90 dias a contar da data de transferência da posse do terreno e do edificio da PROCAC para o clube.

Eventual cessão

O documento contempla a possibilidade de o clube designar uma terceira entidade para encabeçar a titularidade jurídica do prédio, caso em que poderá transmitir para essa entidade, sem necessidade de consentimento da Brasfer, os direitos e obrigações decorrentes para si da posição no acordo. Em tal caso, a Académica/OAF assumirá solidariamente com a entidade cessionária a responsabilidade pelo cumprimento das obrigações por ela assumidas.
O cenário acabado de descrever estará subjacente aos termos que vierem a resultar do desfecho negocial entre a Briosa e a PROCAC.
Segundo foi revelado na última reunião da Assembleia Geral do clube, a operação decorre da consolidação da sua participação na estrutura accionista da Sociedade de Desenvolvimento Industrial e Comercial de Construção.
Como noticiámos a 31 de Maio de 2007, accionistas daquela sociedade anónima desconfiam que a Direcção da Académica/OAF queira extingui-la na sequência da eventual venda do património de que é proprietária.
Eduardo Simões escusou-se a esclarecer a dúvida, bem como a responder a outras perguntas postas, há meio ano, pelo nosso Jornal.
O capital social da PROCAC foi aumentado recentemente (de 35.000 euros para 52.500), através de incorporação de reservas, e o Conselho de Administração, quando julgar conveniente, mediante parecer favorável do Conselho Fiscal, poderá elevá-lo até à importância de 250.000 euros.
É neste contexto, perante o cenário de a Briosa passar a deter 75 por cento do capital social, que vários accionistas da referida SA manifestaram ao “Campeão” desconfiança de que ela seja extinta por decisão do clube após a referida venda.
A Académica/OAF, que já possui cerca de 60 por cento do capital social da PROCAC, pediu à Câmara de Coimbra, em 2005, a aprovação de um projecto de arquitectura para construção de um edifício adjacente ao largo de João Paulo II.
A informação remetida ao executivo municipal alude à requerente como se da sociedade anónima se tratasse, embora o pedido de deferimento do projecto tenha sido apresentado pelo clube.
A Sociedade de Desenvolvimento Industrial e Comercial de Construção foi constituída em meados da década de 70 [do século XX] para prestação de apoio ao CAC - Clube Académico de Coimbra, entidade que precedeu a criação do OAF (um organismo autónomo “sui generis” da Associação Académica).


3 de nov. de 2021

Empresário dos Jardins do Mondego investigado no Brasil

Empresário dos Jardins do Mondego investigado no Brasil - notícia do JN de hoje
Sábado, Outubro 28, 2006

Urbanização junto ao Mondego é promovida por empresário que está a ser investigado no Brasil.
Nelson Morais
A investigação das ilegalidades da urbanização Jardins do Mondego, em Coimbra, chegou ontem à imprensa brasileira.
O Estado de S. Paulo, diário conhecido por Estadão e com uma tiragem média de 400 mil exemplares, noticiou o caso com o objectivo de traçar o perfil do seu promotor, Emídio Mendes, que vê como "pivot" de um escândalo urbanístico de grandes proporções no município de São Sebastião, Estado de São Paulo.
Procurando sublinhar as ligações entre a Câmara de Coimbra, os negócios imobiliários e o futebol, o correspondente do diário em Portugal sugeriu que os 200 mil euros que a Polícia Judiciária encontrou no carro do presidente da Académica lhe haviam sido entregues por Emídio Mendes. "O senhor está absolutamente enganado", desmentiu José Eduardo Simões, que era director de Urbanismo na Câmara quando foram construídos andares a mais do que os licenciados, nas torres da urbanização. Sobre este processo, o Estadão também refere que "jogadores de futebol brasileiros foram usados por Mendes como moeda de troca em negócios imobiliários". À frente, fala de Roberto Brum (Académica), Marcel (ex-Académica), André Luís, Cadu, Harison e outros negociados pela Bala Managment Lda, sedeada nas Ilhas Virgens e controlada por Emídio Mendes. De momento, aguarda-se que o Departamento de Investigação e Acção Penal de Coimbra acuse os arguidos Mendes e Simões ou arquive os autos.Construir mais altoAté agora, ainda não surgiram ligações ao futebol, no caso em investigação no Brasil. Na zona costeira do município de S. Sebastião, o Riviera Group, de Emídio Mendes, comprou terrenos e é suspeito de influenciar a revisão do Plano Director Municipal, para ali construir prédios mais altos do que era permitido. O caso foi denunciado pelo jornal local Imprensa Livre. Como o prefeito Juan Garcia não gostou, deixou de fazer publicidade institucional no periódico, que entrou em crise e acabou por ser comprado por Emídio Mendes. O Estadão afirma que Mendes terá pago viagens de Garcia a Portugal, e que tem a confiança de um empresário, Zarzur Júnior, que o jornal diz ser "assessor informal" do prefeito. O rápido enriquecimento de Zarzur - após conhecer Mendes, terá comprado lanchas, imóveis, carros de luxo e um helicóptero - está a ser investigado pela Polícia Federal, sendo sabido que ele também aparece como financiador da candidatura autárquica de Garcia